Jardins da Lua é, com certeza absoluta, um épico de fantasia maravilhoso. Steven Erikson nos apresenta um universo muito bem trabalhado, com um sistema de magia extremamente complexo, com uma história muito bem amarrada (mas vale lembrar que alguns aspectos da história são explicados em outros livros ambientados no mesmo mundo, como por exemplo, o que aconteceu com o Imperador Kellanved e seu parceiro Dançarino), os múltiplos e curiosos panos de fundos criados para cada personagem e a incrível mitologia entrelaçada ao sistema de Casas de Ascendentes (de maneira resumida, Ascendentes são os deuses desse universo).

 

É sempre bom avisar que se você gosta daqueles livros que te introduzem na história logo de cara ou então que te explicam como o sistema de magias funciona, então Jardins da Lua provavelmente não é um livro para você encarar de primeira. Muitas vezes durante a leitura você vai se ver completamente perdido (principalmente quando falamos da magia, que é usada através de uma espécie de canalização do poder de outros mundos através dos Labirintos ou dos Labirintos Ancestrais para as raças ancestrais; Sim, é complicado, eu te avisei), porém, conforme a narrativa se desenrola, os próprios personagens vão dando pequenas explicações tanto do sistema de magias, quanto da forma como os Ascendentes se organizam.

Aliás, uma das características que me fizeram ficar encantado com esse livro, foi a forma como os Ascendentes têm um papel importante na narrativa, alguns deles usam mortais para alcançar seus objetivos ou então alguns deles são usados pelos mortais (sim, existem mortais tão poderosos que são capazes de usar deuses para atingir seus objetivos) – a propósito muitos mortais se tornam Ascendentes, mas isso, é uma coisa para ser trabalhada numa outra hora, quando estivermos falando sobre outro livro. 😛

Entretanto, é muito difícil não ficar completamente perdido nos combates envolvendo magias, é tudo tão dinâmico e acontece tanta coisa ao mesmo tempo que você simplesmente se perde e não entende mais quem está vencendo ou perdendo. Mas, basta você ter paciência e voltar a ler desde a parte que parou de entender, que tudo se encaixa.

Malazan 101

Com relação ao Império Malazano, é bom lembrar que ele se deu início em uma ilha chamada Malaz, com um Imperador de nome Kellanved e mais uma porrada de gente, entre eles, uma que é importante citar é aquela que vai assassinar tanto o Imperador, quanto Dançarino (isso não é spoiler, logo no começo do livro Erikson deixa isso claro), e que mais tarde se tornará a Imperatriz – no que tange esse assunto, vocês só precisam saber que o Imperador juntamente com Dançarino somem e que, durante esse sumiço, a Surly ocupa seu lugar (além de ocupar o lugar do antigo imperador, ela muda de nome para Laseen, que significa “Mestre do Trono” – bem sugestivo, eu sei). É durante esse tempo que ela “mata” os dois (quer saber o porquê das aspas em cima da palavra MATA? Então leia Noite das Facas, do Ian C. Esslemont; é outro livro muito bom ambientado neste mesmo universo), e a partir daí Laseen se torna a Imperatriz e continua uma campanha expansionista por diversos lugares, incluindo as Cidades Livres e principalmente Darujhistan, que é o principal lugar onde a narrativa vai se desenvolver.

Vou fazer também uma breve explicação do sistema de magias de Jardins da Lua e também sobre o próprio Império. Vamos lá, existem os Labirintos que são espécies de mundos que os humanos podem abrir para canalizar sua magia, sendo que cada Labirinto ou Caminho (você pode encontrar personagens que se referem a mesma coisa dessas duas maneiras) possui sua peculiaridade, que são: o Caminho do Encapuzado (Caminho da Morte), Denul (Caminho da Cura), D’riss (Caminho da Pedra), Meanas (Caminho da Sombra e Ilusão), Rashan (Caminho da Escuridão), Ruse (Caminho do Mar), Serc (Caminho do Céu), Tennes (Caminho da Terra) e Thyr (Caminho da Luz). Nem todos esses Caminhos foram explicados nesse primeiro livro, por isso, não irei me dar ao trabalho de explicar cada um deles, mas, basta vocês saber que, um único humano pode canalizar magia de mais de um Caminho, entretanto, isso não faz dele um mago mais poderoso do que um mago que canaliza apenas um Caminho, tudo depende do nível de maestria que cada um desses magos tem em canalizar e manipular seu poder. Vale lembrar também que caso o mago esteja muito cansado, ele não será capaz de sequer acessar seu Labirinto, por isso, a condição física é muito importante também. Muito, muito resumidamente é assim que funciona (essa explicação não é quase nada quando comparada a forma como a magia funciona, por isso, ainda estejam preparados para ficarem perdidos).

Resumindo…

A história, na minha opinião, é maravilhosa, a forma como Erikson entrelaça o desenvolvimento das histórias de cada personagem é muito fluída e os embates épicos entre seres poderosíssimos e Ascendentes te tiram o fôlego. Jardins da Lua é um livro incrível e tem tudo para ser entrar na sua lista como um dos melhores livros que você vai ler em sua vida (muita presunção da minha parte levar isso em consideração? Bem, talvez, depois que você ler o livro, possa voltar aqui e me dizer como foi). Mesmo se não for, é certo que ele vai te divertir, vai te fazer teorizar sobre o acontecerá a seguir e que te deixará ansioso para ler o próximo.


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Autor: 
Steven Erikson
Tradutora: 
Carol Chiovatto
Editora: 
Arqueiro
Número de páginas: 
608
Ano:
2017
Sinopse:
Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.

Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.

Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.