Atenção! Essa resenha pode conter spoilers sobre o final de Arkham City, jogo lançado para PS3, PS4, X360, XOne e WiiU.

Depois do enorme sucesso do Superman, a DC Comics buscava criar um novo super-herói para alavancar ainda mais as vendas da editora e, tendo por base um conceito de Frank Foster rechaçado pela empresa, o quadrinista Bob Kane criou o visual e a ideia de um super-herói que não teria poderes e cujas histórias teriam um tom mais sombrio, enquanto que o roteirista Bill Finger consolidou essa ideia, moldou a personalidade do personagem e criou um universo ao seu redor. Assim nascia o Batman. E, nesses quase 80 anos do personagem, uma série de pessoas fenomenais trabalhou com o Homem-Morcego nas mais diferentes mídias, tornando mais difícil para quem quisesse elevar o nível de suas histórias ainda mais. Felizmente, a Rocksteady Studios conseguiu mais uma vez mostrar o porquê do Batman ser um dos maiores ícones da cultura pop.

O estúdio desenvolveu uma série de jogos, como Arkham Asylum e Arkham City, no qual revisitamos Gotham City sob uma nova perspectiva, misturando referências com material original e sabendo dosar as principais características do herói ao longo do gameplay, o que foi recompensado através de várias críticas elogiosas e quantidades gigantescas de jogos vendidos. Mas, enfim, meu objetivo hoje é falar sobre a novelização –CALMA, TE GARANTO QUE NÃO É RUIM! – de Arkham Knight, jogo que encerra a trilogia principal, publicada pela Darkside no início desse ano.

Aqui, acompanhamos o Batman tentando parar o plano do Espantalho, que quer fazer Gotham City sucumbir perante ao medo, tentando preencher o vácuo de poder criado no cenário criminoso da cidade pela morte do Coringa, contando para isso com o poder de um misterioso vilão que parece sempre estar um passo à frente do cavaleiro das trevas (ok, acho que já deu de alcunhas do Batman hoje).

O primeiro ponto positivo vai para o autor, Marv Wolfman, que consegue dar a contextualização necessária para que esse livro se saía bem como um romance, não dependendo da mídia original ou soando como um tutorial (ou um walktrough) do jogo, tal qual algumas outras novelizações. Além disso, Wolfman soube o que colocar e o que deixar de fora na história, tornando-a coesa e objetiva, sem se preocupar em adaptar arcos de missões paralelas que acrescentam pouco à história, por exemplo.

A bagagem do autor como quadrinista, o que inclui “apenas” Crise nas Infinitas Terras, também é importantíssima para garantir a qualidade dessa novelização e a fidedignidade a características centrais dos personagens, conseguindo estabelecer a personalidade e o vínculo entre a ampla galeria de vilões do Batman e o leitor em algumas poucas linhas, o que é um feito notável.

Outro ponto a favor de Wolfman é que ele soube desenvolver a relação entre Coringa e Batman de uma maneira única, fazendo com que o palhaço do crime roube a cena, ainda que não apareça vivo em nenhuma delas, brincando com o psicológico do Batman e garantindo vários dos pontos altos da história.

A edição da Darkside é linda e mantém o padrão de qualidade psicopata da editora no acabamento gráfico, trazendo capa  dura com efeito em baixo relevo, luva e bordas pintadas com tinta preta, além de uma diagramação bonita e confortável para a leitura. Entretanto, vale apontar que a editora deixou passar vários errinhos de português na revisão.

A foto que eu tirei ficou horrível, então vamos com a oficial da editora mesmo. :p

A foto que eu tirei ficou horrível, então vamos com a oficial da editora mesmo. :p

Em suma, Batman: Arkham Knight é uma novelização feita por alguém que conhece profundamente o personagem e a sua mitologia, extraindo o melhor da mídia original que adapta. A escolha por capítulos curtos aliados a uma boa história e a fluidez da escrita de Wolfman tornam esse livro perfeito para ser lido em uma sentada só.


batman-coverAutor: Marv Wolfman
Tradutor: Alexandre Callari
Editora: Darkside Books
Número de páginas: 272
Ano: 2016
Sinopse: O morcego e a caveira finalmente juntos Era inevitável: o Cavaleiro das Trevas e a DarkSide Books acabam de unir forças. E já podemos avistar o bat- sinal do que vem por aí: uma das mais sombrias aventuras do eterno Homem-Morcego. Batman: Arkham Knight é a adaptação literária oficial do game que conquistou fãs e críticos em 2015. Uma parceria entre a DC Comics, a Warner e a DarkSide Books que virá com aquele padrão quase psicopata de qualidade que os fãs brasileiros merecem. Se você já jogou Arkham Knight, prepare-se para reviver a história com uma resolução muito maior que a de qualquer console ou PC: a da sua imaginação. As páginas do romance têm adrenalina de sobra, e mesmo quem não é íntimo dos videogames vai se sentir explorando os becos escuros de Gotham City. Tudo começa um ano após a morte do Coringa. A cidade, que havia se transformado num hospício a céu aberto, finalmente volta à sua rotina normal. Mas é claro que a paz não pode ser duradoura em uma metrópole que esconde vilões como Charada, Pinguim, Hera Venenosa, Arlequina e Duas Caras.