Imagina se sua casa se virasse contra você? Se o local em que você deveria estar mais seguro passasse a tentar te atormentar ali, arremessando objetos em sua direção, virando seu sofá e fazendo uma infinidade de coisas apenas para testar sua paciência e te fazer caminhar até os limites da sanidade? Foi isso que aconteceu em um dos casos sobrenaturais mais famosos da história, o do poltergeist de Enfield. E é sobre esse caso que Guy Lion Playfair se debruça e esmiúça nas páginas de 1977 – Enfield, obra recém-lançada pela Darkside Books no país.

Em primeiro lugar, preciso dizer que 1977 é um bom livro, mas que não é para todo mundo. Alguns leitores irão adorá-lo e outros vão detestá-lo, e tudo vai depender de apenas uma coisa: sua expectativa com a obra, com o que você vai encontrar aqui. Por isso, resolvi fazer essa resenha um pouco diferente e separei três fatores, positivos e negativos, para ajudá-lo a descobrir se este livro é uma boa pedida para você.

Não é um romance de terror

Embora tenha servido como inspiração para uma porrada de filmes, incluindo o clássico Poltergeist, de 1982 (Deus me livre do remake de 2015), e do bem sucedido Invocação do Mal 2, este livro não é uma história de terror, como O Exorcista, de William P. Blatty. O que Playfair escreve aqui é justamente aquilo que está no subtítulo: relatos sobrenaturais; dessa forma, temos uma obra de não-ficção que aborda o caso de Enfield sem romantização de qualquer tipo. O que é algo positivo para quem quer ver isso, mas pode ser algo mais parado (e repetitivo, como são os casos de poltergeist) para quem procura o terror e o ritmo de uma obra ficcional. O que me leva ao segundo ponto…

Profundidade da pesquisa

Guy Lion Playfair não começou a pesquisar fenômenos sobrenaturais com esse caso, muito menos dedicou pouco tempo para pesquisar a fundo esta história. O que temos em 1977 é um pesquisador e jornalista que já trabalhou em diversas publicações importantes, como a The Economist e a Time, mergulhando fundo numa história que viveu junto à família atormentada. Dessa maneira, tudo é ricamente documentado e descrito para o leitor e são esboçadas várias tentativas de desmistificar sobre outras perspectivas esta história.

Porém, vale ressaltar, que ao contrário do caso de Exorcismo, escrito por Thomas B. Allen, senti a falta de um distanciamento maior do caso e de um maior rigor jornalístico, o que pode ser explicado através das crenças pessoais de Playfair, que é parapsicólogo, e de seu envolvimento profundo no caso como pesquisador durante quase todo o tempo de atividade do poltergeist.

Relevância do caso

Enfield ainda hoje é um dos locais mais famosos ligados ao sobrenatural e ter uma perspectiva que foge a exageros é interessantíssimo para desmitificar a história do que aconteceu ali, nem que seja para ficar chocado como eu fiquei quando descobri que o envolvimento dos Warren foi mínimo ali.

Além de ser um dos casos sobrenaturais mais populares da história, o caso foi estudado e serviu de base para alguns estudos dentro desse campo feitos pelos pesquisadores da área.

Bônus!

É claro que não ia deixar de lado o fato do livro ter o clássico projeto gráfico maravilhoso da Darkside Books que exorciza qualquer espírito da capa feia da sua estante. :p

Livro cedido pela Darkside Books para resenha.
Book’s not dead. <3


>>> Disponível na Amazon
Autor:
Guy Lion Playfair
Tradutora: Giovanna Louise Libralon
Editora: Darkside Books
Número de páginas: 
272
Ano:
2017
Sinopse:
Real e sobrenatural Nos entalhes da madeira, é possível ver uma cruz. Duas, se percebermos que a outra está invertida. Será um sinal? O que há por trás daquela porta? Descubra em 1977 — Enfield, o mais novo livro sobre relatos sobrenaturais da DarkSide Books. Green Street, 284. Enfield, subúrbio de Londres. Há quarenta anos, este endereço desperta medo e curiosidade nos estudiosos em assuntos paranormais. Uma residência simples, de classe média baixa. Dentro dela, uma família em pânico. Os gritos acordavam a vizinhança, a polícia não sabia como investigar. Seria aquela uma verdadeira casa mal-assombrada? Seja bem-vindo para desvendar esse mistério nas páginas de 1977 – Enfield. Mas entre por sua conta e risco. Dentro deste livro, você encontra o mais completo registro do fenômeno real que inspirou os filmes Poltergeist e Invocação do Mal 2. 1977 — Enfield é o relato escrito por Guy Lyon Playfair, um dos especialistas em mediunidade que investigaram os fenômenos mundialmente conhecidos como o “poltergeist de Enfield”. Ele morou no Brasil durante anos, e é especialista na obra e na vida do médium Chico Xavier. Junto com o pesquisador do paranormal Maurice Grosse, Guy acompanhou por três anos o drama da sra. Harper e de seus filhos, documentando inúmeros acontecimentos que a ciência não consegue explicar: objetos que se moviam sozinhos, barulhos sem causa aparente, vozes atribuídas a espíritos, levitação. Seria um caso de histeria coletiva ou puro charlatanismo?, alguns podem se perguntar. Mas as fotos, os registros em áudio e vídeo e os depoimentos recolhidos por Guy Lyon e Maurice até hoje intrigam a comunidade internacional. Poucas vezes, o sobrenatural se mostrou tão real como aqui. O caso ganhou repercussão na mídia e atraiu a atenção de diversos pesquisadores, entre eles o casal Warren, como você pode conferir em Ed & Lorraine Warren: Demonologistas. 1977 — Enfield não tenta convencer o leitor de nada, muito menos convertê-lo. Trata-se de um livro documental, escrito por um jornalista. Você tem acesso aos fatos e pode tirar suas próprias conclusões, se conseguir chegar ileso até o surpreendente final. Guy Lyon Playfair nasceu na Índia e foi educado na Inglaterra, onde graduou-se em línguas modernas na Cambridge University. Morou no Brasil por vários anos, trabalhando como jornalista freelancer para a revista inglesa The Economist, o semanário americano Time e a agência de notícias Associated Press; também trabalhou por quatro anos na seção de imprensa da USAID, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. The Flying Cow (1975) — o primeiro de seus doze livros publicados, traduzido em seis línguas e best-seller internacional — descreve suas experiências ao investigar os aspectos psíquicos do Brasil, assim como Chico Xavier, Medium of The Century (2010). Atualmente, vive em Londres e é um importante membro do conselho da Sociedade para Pesquisas Psíquicas. “Um clássico do gênero.” — Sam Syers, Hampstead & Highgate Express — “O histórico dos acontecimentos é meticuloso e fornece ao leitor um relato excepcionalmente completo do que deve ser considerado um registro extremamente importante do aparecimento contemporâneo de atividade poltergeist.” —Richard Whittington-Egan, Contemporary Review