Na Carolina do Norte, no ano de 1973, um universitário, Devin Jones, começa a trabalhar durante as férias no parque Joyland, para esquecer sua namorada. Além de ser um dos últimos parques “antigos” a resistir, Joyland foi palco de uma história trágica: a jovem Linda Gray foi assassinada e, segundo os rumores, habita o trem-fantasma como espírito. O que poderia se tornar um terror clichê na mão de algum outro autor, acaba virando um romance com uma narrativa sensível que fala sobre a vida e mantém um clima de suspense que cresce a cada página.

Quando se trata do passado, todo mundo escreve ficção.

Devin Jones é um protagonista que foge de clichês e conduz o leitor de uma maneira natural pela trama, é um personagem que parece vivo fora daquelas páginas. A escolha de King de desenvolvê-lo e transformá-lo devido as suas relações também é acertada e acaba sendo a força motriz do livro, que se transforma em uma história que gira ao redor do amadurecimento. Todos os demais personagens, como Tom, Erin e Mike, são encantadores e cativam o leitor da primeira até a última página.

A busca de Devin pelo assassino de Linda Gray reserva várias surpresas, que se encaixam bem com o restante do  livro e auxiliam a história a seguir direto a um final de tirar o fôlego de qualquer um. O único porém é que se você for buscar um livro de terror ou um suspense mais denso, não é aqui que você encontrará; em Joyland, King opta por criar um clima ora tenso, ora melancólico, fugindo um pouco do rótulo que lhe foi dado de mestre do terror.

A escolha de ambientar Joyland em um parque de diversões acaba sendo uma oportunidade de fascinar o leitor com um universo belo, divertido e nostálgico, que fazem com que qualquer um sinta-se uma criança passeando pela avenida principal do parque – a Joyland Avenue – e encantando-se pelo cão Howie dançando e balançando o rabo.

Vocês terão vidas interessantes e produtivas, meus jovens amigos. Vão fazer muitas coisas boas e ter experiências incríveis. Mas espero que sempre vejam o tempo que passaram em Joyland como algo especial. Nós não vendemos mobília. Não vendemos carros. Não vendemos terrenos, nem casas, nem fundos de aposentadoria. Não temos interesse político. Nós vendemos diversão.

Para aqueles que deixaram de acompanhar as histórias de King, Joyland pode ser um bom retorno, afinal, é o autor em sua melhor forma, provando novamente ser um grande conhecedor do que nos torna humanos e optando desenvolver uma história por um viés diferente daquele que o ascendeu. Já aqueles que nunca leram uma obra do autor – muitas vezes por achar que ele só escreve terror -, esta é a sua chance de conhecer um dos melhores autores contemporâneos com uma trama bem amarrada e guiada por um suspense que brinca com o sobrenatural, mas não acaba em terror. Para aqueles que dizem que Stephen King é puramente comercial, uma ótima oportunidade para ver que, comercial ou não, o autor sabe escrever boas histórias como ninguém.

Joyland, de Stephen King, encanta o leitor com uma ideia interessante, guiada pelo amadurecimento do personagem e pela intervenção sobrenatural, que não desemboca em terror, mas mantém um clima melancólico e tenso no ar. Em suma, reafirma a genialidade de King como romancista.

5/5


joyland stephen king suma de letrasAutor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015
Número de páginas: 240
Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.

Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.

O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.