Depois de Twin Peaks, a televisão não foi mais a mesma. O programa de David Lynch e Mark Frost criou, em 1990, uma maneira de se produzir conteúdo para a TV na qual muitas emissoras ainda apenas engatinham quase 27 anos depois. Esse estilo onírico, criativo, inventivo e arriscado de não esmiuçar cada mínimo detalhe, de não ser óbvio ou se perder em didatismos, de se preocupar em encarar a história como um todo, não apenas se preocupar na história daquela semana ou de reproduzir clichês episódio atrás de episódio. E se hoje a televisão é visto como um dos campos mais criativos e atrativos para importantes nomes do cinema, é por que Lynch e Frost deram o pontapé inicial.

Por isso, chega até a ser irônica essa volta de Twin Peaks – 25 anos depois, como prometido por Laura Palmer – na qual a criadora de uma nova maneira de fazer televisão tem que se provar mais uma vez, concorrendo com o que surgiu baseado no caminho que a própria série pavimentou. Aliás, a ida de um diretor inventivo e autoral como Lynch para a televisão já apontava algo que Hollywood parece só ter percebido agora de que as séries podem ser um formato com tanto destaque e tão bem produzidas quanto qualquer longa-metragem, como vimos as Wachowski fazer com Sense8 ou David Fincher fazer com House of Cards, sinalizando este êxodo de grandes cineastas (e atores) para a telinha, que se mostra cada vez mais receptiva a ideias criativas e arriscadas.

Você ainda tem tempo para assistir Twin Peaks antes do nosso cepo te julgar…

A história de uma pequena cidade que se vê chocada pela morte de Laura Palmer, uma adolescente cheia de segredos por trás da fachada de rainha do baile, e uma população formada por personagens misteriosos, únicos e excêntricos encantou os espectadores com uma trama ousada durante duas temporadas e um longa-metragem, todos frutos da parceria de Lynch e Frost. Não só foi uma parceria entre duas pessoas, mas de toda uma equipe que desde o começo notou que trabalhava em algo especial. É por isso que a trilha de Angelo Badalamenti ainda arrepia, as atuações ainda chamam a atenção e o tom onírico é percebido em cada quadro.

Pelo (pouco) que já se divulgou da nova temporada, distribuída no Brasil toda segunda, a partir do dia 22, exclusivamente na Netflix, fica claro que a dupla retorna para ensinar mais uma vez como se contar uma boa história para uma nova geração.

Vinte e cinco anos depois, uma pergunta ainda se mantém relevante e está prestes a chacoalhar o mundo de novo: Quem matou Laura Palmer?

That gum you like is going to come back in style.