Há 80 anos atrás, também no dia 30 de julho, Allen Lane resolveu lançar livros de qualidade, mas tão baratos quanto, por exemplo, um maço de cigarros e que estivessem disponíveis em todos os lugares. Há 80 anos, Allen Lane, embora ainda não soubesse, fundava uma das maiores editoras do mundo, a Penguin Books, além do maior grupo editorial, a Penguim Random House.

The Original Ten, os dez livros que inauguraram a Penguin

Na época, ele lançou os títulos como livros de bolso com custo baixo, o que era algo inovador na época e acabou se tornando um padrão global. Lane lançou a Penguin com dez títulos, chamados de The Original Ten, alguns conhecidos até hoje, outros que desapareceram com o tempo. Conheça-os abaixo.

Ariel, de André Maurois

Ariel

Publicado inicialmente em 1924, este livro é a biografia do poeta romântico inglês Percy Shelley. Ariel, André Maurois, foi marcado por críticas positivas, que o colocaram como uma biografia que soube ter o realismo necessário, sem cair em clichês da biografia.

Escrito por André Maurois, pseudônimo (e que depois se tornou seu nome) do francês Emile Herzog, que ficou conhecido pela revista Time pela “distinção de ser mais inglês que a maioria dos ingleses.” Aliás, a ligação de Maurois com a Inglaterra e a América é presente em sua vida até a sua morta em 1967.

O autor também escreveu outras biografias de pessoas como Proust, Disraeli, Byron, Victor Hugo, George Sand. Também escreveu livros, como O Silêncio do Coronel Branbles e Os discursos do dr. O’Grady, que fizeram sucesso, mas não no mesmo nível de suas biografias. Sua importância foi reconhecida inúmeras vezes, inclusive sendo um dos imortais, um dos quarenta da Academia Francesa.

Twenty-Five, de John Beverley Nichols

Twenty-Five

John Beverley Nichols é considerado um escritor versátil, sendo o responsável por escrever mais de 60 livros e peças de teatro, que vão de livros sobre arranjos florais e viagens até mistérios, peças, religião e política. Twenty-Five é o primeiro livro de seis que compõem a autobiografia do autor – Twenty-Five (1926), All I Could Never Be (1949), The Sweet and Twenties (1958), Father Figure (1972), Down the Kitchen Sink (1974) e The Unforgiving Minute (1978).

 

Gone to Earth, de Mary Webb

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Novelista e poeta inglesa romântica, Mary Webb foi uma autora de sucesso, rendendo uma série de adaptações para o cinema e TV, inclusive Gone to Earth, além da maioria de seus livros continuarem a ser impressos. Gone to Earth conta a história de uma garota bela, que é atraída para o mundo dos relacionamentos devido a sua beleza, mas, que consegue escapar das garras de homens que só queriam usá-la junto a sua raposa de estimação. Uma curiosidade sobre a autora é que o Primeiro-Ministro britânico Stanley Baldwin se declarava admirador da autora.

 

William, de E.H. Young

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Esta autora foi extremamente famosa em seu tempo, mesmo que não seja hoje, e William foi uma de suas obras mais famosas. Seus livros mais conhecidos tratam, em sua maioria, os conflitos das vidas domésticas femininas da época, retratando o choque entre o interior e as restrições que eram impostas a elas devido ao seu sexo, experiências as quais a própria autora viveu. Boa parte de suas obras foi adaptada pela BBC tanto para o rádio, quanto para a televisão.


A Farewell to Arms, de Ernest Hemingway

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Ernest Hemingway é um dos grandes nomes da literatura norte-americana do século XX, inclusive sua influência é presente na literatura até hoje. O sucesso deste livro, publicado pela primeira vez em 1929, é o que o tornou famoso e independente, financeiramente falando. Hemingway foi um ganhador do Prêmio Pulitzer de Literatura (conheça mais sobre o prêmio aqui) e de um Nobel de Literatura.

A Farewell to Arms foi publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil, assim como quase todas as obras do autor, com o título de Adeus às Armas. Outras de suas obras são Por Quem os Sinos Dobram, Ter ou Não Ter, O Velho e o Mar e Paris é uma Festa.

Sinopse: Este livro apresenta o melhor romance americano ambientado na I Guerra mundial, consolidou a reputação de Ernest Hemingway como um dos mais importantes ficcionistas do século XX. Uma história com vários pontos em comum com a biografias do escritor, que nos apresenta um motorista de ambulância voluntário, ferido no Front italiano, a linda enfermeira escocesa por que ele se apaixona e a aventura dos dois , em busca de algum pequeno santuário que os abrigues e ao seu amor, em meio a um mundo enlouquecido pelo guerra.


Poet’s Pub, de Eric Linklater

Poets Pub

Eric Linklater não só serviu como sniper durante a Primeira Guerra Mundial, como foi um autor que escreveu livros de inúmeros gêneros, que vão de sátiras, histórias de guerra, a história da Escócia e vários livros infantis, incluindo The Wind on the Moon, que lhe rendeu uma medalha Carnegie.

Atualmente não sendo mais impresso pela Penguin, mas ainda disponível na versão digital, Poet’s Pub conta a história de um poeta de Oxford que reclama sobre o seu serviço e se torna o gerente de um pub no Downish, o The Pelican, e, assim, a história gira ao redor das pessoas excêntricas que se reúnem ali. Foi bem recebido pela crítica, sendo considerado cheio de situações improváveis, mas extremamente divertido, sendo transformado em um filme britânico de comédia pelo diretor Frederick Wilson em 1949. Boa parte de seus outros livros continuam sendo impressos, incluindo o livro infantil ganhador da Carnegie.

Carnival, de Compton Mackenzie

carnival

Vindo de uma tradicional família teatral, Compton foi não só escritor, como ator, radialista e ativista político, com uma obra de mais de 90 livros. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu no serviço de inteligência britânico, o MI6. Também foi o co-fundador da revista de música clássica The Gramophone, que continua a ser publicada e se destaca no meio.

O livro Carnival conta a história de Jenny Pearl, uma dançarina, que é apaixonada por Maurice Avery, que a deixa quando ela se recusa a ser sua amante. Pearl acaba em um casamento sem amor com Trewhella, um agricultor da Cornualha, que se torna um ciumento doentio quando Avery retorna. Este livro já teve várias adaptações para o cinema, televisão, teatro e ópera.

Madame Claire, de Susan Ertz

Madame Claire

O primeiro livro da autora Susan Ertz, Madame Claire, foi também um de seus maiores sucessos tanto na Inglaterra, quanto nos Estados Unidos. O tabloide britânico The Daily Mail disse que a “Senhorita Ertz usa habilidade, humor e uma profunda compreensão da natureza humana”. Este livro é a história de uma senhora de idade que é obrigada a arranjar seus assuntos imobiliários de uma suíte de hotel em Kensington.

Seu livro The Proselyte, que retrata a história de uma londrina que se casa com um Mórmon e se muda para Utah foi um dos seus livros mais elogiados, inclusive mórmons disseram que a história difícil e triste história de seu povo são retratados claramente. Outro de seus livros, In the Cool of the Day, foi adaptado para as telas do cinema em 1963, com as atrizes Jane Fonda e Angela Lansbury e o ator Peter Finch.

The Unpleasantness at the Bellona Club, de Dorothy L. Sayers

Bellona

Embora não tão famosa internacionalmente quanto a Rainha do Crime, Agatha Christie, a autora Dorothy L. Sayers foi uma das escritoras da Era de Ouro da Ficção Detetivesca, que ocorreu entre as décadas de 1920 e 1930. The Unpleasantness at the Bellona Club (em Portugal, O Mistério do Bellona Club) foi um dos seus romances mais famosos estrelados o detetive britânico Peter Wimsey.

A autora foi uma das primeiras mulheres a se formar em Oxford, sendo seu emprego mais duradouro o de redatora publicitária, onde ela trabalhou em campanhas de sucessos e com algumas sendo usadas até os dias de hoje, adaptadas, obviamente. A sua tradução da Divina Comédia de Dante é considerada um de seus melhores trabalhos e continua sendo utilizada na versão do livro publicada pelo selo Penguin Classics da editora.

Entretanto, a autora nunca fez tanto sucesso no Brasil, inclusive seus romances não estão sendo editados atualmente por nenhuma editora, mas alguns títulos já foram publicados na década de 1990 pela editora José Olympio, como O Homem das Garras de Cobre e Lua-de-Mel, Crime e Mistério, e são encontrados facilmente em sebos e no site Estante Virtual.


The Mysterious Affair at Styles, de Agatha Christie

Styles

Nem deve ser preciso introduzir Agatha Christie, né?  A Rainha do Crime é uma das autoras mais conhecidas do mundo e, junto a Shakespeare, é a autora mais vendida do mundo, só perdendo para a Bíblia.

The Mysterious Affair at Styles foi o primeiro livro publicado pela autora, ainda em 1920, e já nos introduz ao famoso detetive belga Hercule Poirot, que depois apareceria em muitos de seus títulos. Aliás, vários dos elementos introduzidos aqui foram utilizados muitas vezes tanto pela própria autora, quanto por outros autores, justamente pelo fato de terem se tornado referência.

Aqui no Brasil, o livro, que tem o título de O Misterioso Caso de Styles recebeu uma nova edição pela Globo Livros no ano passado, ganhando, inclusive, uma nova capa e um novo projeto editorial. Atualmente, está disponível como parte do catálogo brasileiro do serviço de assinatura de e-books da Amazon, o Kindle Unlimited, quase que um Netflix de livros.

PS: Para a construção deste post, foi utilizado o hotsite da Penguin em comemoração aos seus 80 anos, o Google Books, site do Estante Virtual e outras lojas nacionais e internacionais, como a Amazon US e a Saraiva.