David Bowie não recebeu o título de Camaleão do Rock a toa, o músico soube, como ninguém, inovar e se reinventar constantemente, entrando não só para a história da música, como para o de toda a cultura pop por sua genialidade. Músicas como Space Oddity, Fame, Ashes to Ashes e Heroes embalaram – e ainda marcam – gerações, mas, para muitos, Bowie sempre será lembrado com carinho como o ator que deu vida a personagens como Thomas Jerome Newton e Maltazard.

Dessa forma, montamos uma lista com quatro filmes para que você conheça – ou revisite – uma das inúmeras facetas do nosso eterno Ziggy Stardust, que faleceu nesse ano, poucos dias após o lançamento de seu último disco ★ (Blackstar).

O Homem que Caiu na Terra (1976)

Dirigido por Nicolas Roeg (Cassino Royale, Dr. Jivago), O Homem que Caiu na Terra, de 1976, é a estreia do músico como ator. No papel de um alienígena, disfarçado de empresário, que vem à Terra para conseguir salvar seu planeta, Bowie deverá sobreviver ao mundo dos negócios e resistir às tentações do nosso planeta.

A história é uma adaptação do romance homônimo, escrito por Walter Telvis e publicado, originalmente, em 1963, extremamente elogiado pelos críticos, como James Sallis, que disseram que colocavam esse livro “entre os melhores romances de ficção científica”. O livro foi lançado pela primeira vez no Brasil esse ano, pela Darkside Books, que o trouxe em uma edição de luxo, com capa dura e acabamento gráfico diferenciado.

Reconhecido pela Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films com um prêmio Saturn, David Bowie não conseguiu convencer a produção do longa a utilizar uma trilha sonora que havia composto para o filme, e, assim, várias de suas ideias foram reaproveitadas no seu álbum lançado no ano seguinte, Low.

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Arthur e os Minimoys (2006)

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Maltazard, grande antagonista do longa

Embora eu morasse num prédio, me encantava (e me assustava um pouco) a ideia de diminutos seres morando entre os arbustos e, por isso,  Arthur e os Minimoys foi um daqueles filmes que eu assisti várias vezes pouco tempo depois de chegar da escola e fazer a tarefa de casa. Acostumado do jeito que estava com a dublagem nacional, foi uma surpresa descobrir ao reassistir ao longa de Luc Besson esse ano uma série de vozes familiares e, no meio delas, a voz de Bowie.

Pela primeira vez reparei que o próprio Arthur era o Freddie Highmore, de A Fantástica Fábrica de Chocolates e de Bates Motel, além de notar as vozes de Jimmy Fallon como Betameche, Madonna como Selenia e o Camaleão dando vida ao grande vilão da história, o Imperador Maltazard.

O filme foi destroçado pela crítica, que alegou que esse desperdiça o seu grande elenco em um filme com roteiro previsível, mas ainda vale a pena assisti-lo, nem que seja pela pura nostalgia.

Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992)

A série criada por David Lynch revolucionou a maneira de se fazer TV, então não era de se surpreender que o projeto tivesse ao menos um pequeno envolvimento de Bowie. Fire Walk With Me, ou, como ficou no Brasil, Os Últimos Dias de Laura Palmer, é um longa franco-americano que funciona tanto como uma prequela, quanto como uma sequência para o enredo original da série Twin Peaks.

No filme, Bowie interpreta Philip Jeffries, um agente do FBI que desaparece antes dos eventos principais e surge anos depois no elevador do escritório da agência na Filadélfia, indo direto para a sala do seu superior. Recentemente, Harry Goaz revelou que o músico ia voltar a encarnar o personagem no revival da série, previsto para o ano que vem, mas que faleceu antes de conseguir filmar suas cenas.

 

Mesmo atraindo algumas críticas na época por ser considerado confuso demais, hoje o filme alcançou o status de clássico cult, e teve, em sua versão em Blu-Ray, um novo corte que acrescenta 92 minutos de cenas excluídas do longa original, expandindo, de certa forma, o universo da série.

Labirinto – A Magia do Tempo (1986)

Clássico da Sessão da Tarde, Labirinto – A Magia do Tempo foi protagonizado por David Bowie e dirigido por Jim Henson, famoso criador dos Muppets, sendo esse seu último trabalho como diretor antes de sua morte, em 1990. Mesmo com uma arrecadação baixa e com críticas não muito positivas, o longa ainda é um dos filmes mais marcantes na carreira de Bowie, que, aqui, interpreta o Rei dos Duendes, além de ter dado aquele empurrãozinho na carreira de Jennifer Connely (Noé, Réquiem para um Sonho).

 Recentemente, a Darkside Books publicou a romantização do filme com tradução de Giovana Louise e com o típico padrão psicopata de qualidade da editora, o que inclui ilustrações originais de Brian Froud, que trabalhou no filme, trechos inéditos e 50 páginas do diário de Henson, detalhando como surgiram as ideias para Labirinto.


Esse post faz parte do projeto Book’s Not Dead, criado em comemoração aos quatro anos da Darkside Books, e que trará posts especiais relacionados ao catálogo da editora de hoje até o dia 31 desse mês. Para quem é fã do Bowie, ainda indicamos a leitura da lista com seus 100 livros favoritos adaptada pelo site. 😉