Quando anunciaram Hannibal, fiquei não com um, mas com os dois pés atrás, afinal, falávamos de um serial killer famoso não só pelos livros de Thomas Harris, mas por uma interpretação icônica de Anthony Hopkins – que lhe rendeu um Oscar, inclusive. Dessa forma, não era inesperado que eu visse com temor uma nova adaptação dessas histórias sangrentas em uma rede de televisão aberta dos Estados Unidos (NBC, mais conhecida por Friends); porém a série veio, fez três temporadas sensacionais e foi cancelada antes de se concluir as cinco temporadas previstas, deixando vários fãs órfãos no caminho.

Anthony Hopkins no clássico “O Silêncio dos Inocentes” (1991), longa ganhador de 5 Oscars

Por isso, separamos algumas indicações de livros para que você leia enquanto espera os rumores de que a série deve voltar no próximo ano se concretizarem (ou não).

PSICOSE, de Robert Bloch

Sim, o clássico filme de Hitchcock é baseado em um romance que em nada deve ao longa dirigido pelo mestre do suspense. Genial à sua própria maneira e marco importante na , o livro é uma das minhas leituras preferidas da vida e não poderia faltar nessa lista. Para quem não conhece a história, recomendo que leia a resenha disponível aqui no site sobre o livro ou pelo menos o trecho abaixo.

 Marion Crane é uma mulher que rouba quarenta mil dólares do seu chefe para quitar as dívidas de seu noivo, Sam, para poder finalmente se casar, já que ele passa por problemas financeiros e resolveu que irá saldá-las antes de se casar. Tentando chegar à casa dele, que é em outro estado, ela se perde, sai da estrada principal e acaba resolvendo passar a noite no Motel Bates, um local isolado na beira de uma estrada secundária.

O local é gerido por Norman Bates, um homem de meia idade que dedicou a vida a cuidar do motel da família, ainda que a construção da outra estrada tenha minguado a quantidade de clientes, e de sua mãe, uma figura extremamente controladora e super protetora. Apesar da sua idade, ele nunca teve qualquer relacionamento e é mantido a rédeas curtas pela Mãe, que o obriga a fazer tudo o que ela quer à sua maneira. 

MENINA MÁ, de William March

O que pode ser mais atormentador que um dono de hotel meio pirado e um canibal? É óbvio, uma criança assassina.

William March chocou os Estados Unidos ao narrar as histórias de uma garota de apenas oito anos que manipula todos ao seu redor sem que ninguém perceba, ao mesmo tempo em que nos apresenta a ótica da mãe da pequena Rhoda, que começa a se questionar se deve proteger a filha do mundo ou o restante do mundo de sua filha.

Polêmico, o livro poderia até estar datado devido aos quase cinquenta anos e vários serial killers que surgiram dentro — e fora — da literatura de lá para cá, porém March construiu uma história genial que ainda choca o leitor e o fará ver além da cesta de beijinhos, justificando elogios de autores como Ernest Hemingway, ganhador do Nobel de Literatura.

DEXTER — A MÃO ESQUERDA DE DEUS, de Jeff Lindsay

Outro serial killer da literatura levado para a TV, Dexter é uma dica sempre interessante para quem procura uma série mais longa de suspense.

Com oito livros, a maioria da história dos romances é inédita para quem assistiu ao seriado, porque apenas a primeira temporada é baseada diretamente nas histórias de Lindsay e, a partir de então, as demais temporadas tomam um rumo próprio.

Para aqueles que não conhecem a história, Dexter Morgan é um homem educado, elegante e atraente, que também é um assassino em série. Mas não qualquer assassino, mas um que mata apenas aqueles que julga merecer, ocupando o restante do seu dia como perito da polícia de Miami.

Ah! E as descrições vão virar seu estômago do avesso.

SERIAL KILLERS — ANATOMIA DO MAL, de Harold Schechter

Livro de não ficção, Anatomia do Mal é um prato cheio para quem se interessa por criminologia, escrito de maneira detalhada e com muito conteúdo esmiuçado ao longo de suas quase 500 páginas.

Harold Schechter se debruçou sobre o tema e vai abordar desde a origem dos termo serial killer aos principais casos de assassinatos em série, além de tentar explicar a bizarra — e mórbida — fascinação e frenesi que esses assassinos causam na população e na mídia.

BOM DIA, VERÔNICA, de Andrea Killmore

E agora vamos adicionar um pouco de sangue nacional nessa lista.

Andrea Killmore foi um nome que surgiu do nada no final de 2016 e está causando um burburinho na internet com um romance de estreia de tirar o fôlego. Oculta por um pseudônimo, a autora já foi alguém importante dentro da polícia, mas teve que assumir uma nova identidade.

No livro, acompanhamos Verônica Torres, secretária da polícia que vê num chocante suicídio de uma jovem e na ligação de uma mulher desconhecida desesperada pedindo por ajuda a chance de se mostrar capaz de conduzir uma investigação. O que os dois casos farão é arremessar Verônica direto para o lado mais escuso e pérfido da humanidade, originando uma história bem costurada e que você deve ler o quanto antes.

DRAGÃO VERMELHO, de Thomas Harris

A última indicação dessa lista não poderia ser outra, ainda que pareça um pouco óbvia. É justamente a série de livros escrita por Thomas Harris que deu origem a Hannibal Lecter. Embora muitos não a tenham lido, a construção do personagem é feita de maneira simplesmente divina e de uma forma única, que fará você reconhecer o canibal ali, ainda que seja bem diferente do presente nas adaptações dos romances, seja para a TV ou para o cinema.

Sério, os livros são sensacionais, já pode ir abrindo a página da Amazon na outra aba. E comece por Dragão Vermelho, obrigado.

O horror real não está nas sombras, mas dentro do pequeno mundo retorcido dentro de nossos crânios. — Robert Bloch